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MALBEC: Argentina X França

(Por Marcelo Copello)

A malbec nasceu em Bordeaux há alguns séculos, mas desenvolveu-se mais na região francesa de Cahors. Com a Phylloxera no século XIX foi quase apagada de Bordeaux onde ainda existe, embora seja rara. Lá nunca foi realmente muito plantada, os châteaux tinham um máximo de 10% de malbec para ser usada em cortes com o papel de suavizar o Cabernet Sauvignon.

Depois da Phylloxera, contudo, foi replantada em porta enxertos muito vigorosos e após a geada de 1956 foi quase abandonada em nome da Merlot. Hoje, em Bordeaux, os poucos châteaux que tem malbec raramente a usam em proporção maior que 5% em seus vinhos. No Cahors sim, a malbec é a mais plantada, e é obrigatória em mínimo de 70% nos cortes.

A malbec veio de Bordeaux para a Argentina em 1852 (e não do Cahors) e lá se adaptou esplendidamente. Hoje a diversidade clonal da malbec na Argentina é enorme, maior que na França.

Em uma comparação genérica de estilo entre os malbecs argetinos e os franceses, podemos dizer que:

  • Frutas: os malbecs argentinos costumam ser exuberantes nos aromas de frutas, com muitas frutas negras (ameixas, amoras principalmente) bem maduras, as vezes lembrando geléias. Os do Cahors lembram mais frutas frescas, não tão maduras.
  • Flores: violeta é um dos aromas típicos do malbec argentino, menos evidente nos exemplares do Cahors.
  • Vegetais/ervas: tabaco é um aroma da malbec mais comum nos exemplares do Cahors.
  • Doçura: quase sempre os malbecs estarão na categoria “seco”, com poucos gramas de açúcar residual (1 a 5), é o mais comum no mercado, mas com sensação de maciez dada pelo álcool alto e acidez moderada, mais evidente nos exemplares sulamericamos do que nos franceses.
  • Acidez: aqui está uma grande diferença do malbec argentino para o francês. O argentino geralmente tem acidez moderada e o francês mais alta.
  • Corpo: geralmente argentinos tem mais volume de boca que os do Cahors.
  • Álcool: na Argentina raramente um albec terá menos de 13,5% de álcool, podendo chegar aos 17%. Na França estes números são mais baixos, ficando geralmente entre 12% e 14%

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